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Desemprego atinge 6,1% no primeiro trimestre e alcança menor taxa histórica

Primeiro trimestre registra 6,1% de desemprego, menor índice para o período desde 2012, segundo IBGE

30/04/2026 às 23:41
Por: Redação

No primeiro trimestre do ano, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,1%. Esse número, apesar de representar um aumento em relação ao quarto trimestre de 2025, quando estava em 5,1%, é o mais baixo já registrado para o período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

 

Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, que apresentou índice de 7%, observa-se uma diminuição significativa. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro.

 

Desde o trimestre terminado em maio de 2025, o percentual de desocupados não ultrapassava a marca de 6%. Em relação ao trimestre móvel encerrado em fevereiro de 2026, a taxa de desocupação foi de 5,8%.

 

O IBGE orienta que não se faça comparação entre meses consecutivos, devido à sobreposição de informações entre os períodos. O instituto recomenda que as análises sejam feitas em relação ao quarto trimestre de 2025.

 

Panorama do mercado de trabalho e população ocupada

No fim do primeiro trimestre de 2026, 6,6 milhões de pessoas buscavam uma vaga de emprego. Esse número, classificado como população desocupada, representa uma elevação de 19,6% (equivalente a 1,1 milhão de pessoas) frente ao último trimestre de 2025. Entretanto, se comparado ao mesmo período do ano anterior, houve recuo de 13%.

 

O total de ocupados no país alcançou 102 milhões de pessoas no mesmo intervalo, o que indica uma redução de 1 milhão em relação ao trimestre anterior e aumento de 1,5 milhão quando comparado ao primeiro trimestre de 2025.

 

Influência de fatores sazonais

Segundo análise do IBGE, o comportamento do mercado de trabalho nos primeiros meses do ano está ligado a fatores típicos desse período, conhecidos como efeitos sazonais. De acordo com Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do instituto, a diminuição no número de trabalhadores ocorreu em atividades que tradicionalmente apresentam esse padrão.

 

“A redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no comércio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de educação e saúde no setor público municipal.”


 

Entre os dez agrupamentos de atividades econômicas avaliados pelo instituto, nenhum mostrou aumento de pessoas ocupadas. Três setores registraram queda: comércio, com redução de 1,5% (menos 287 mil trabalhadores); administração pública, com decréscimo de 2,3% (menos 439 mil pessoas); e serviços domésticos, com retração de 2,6% (menos 148 mil trabalhadores).

 

Informalidade e vínculos empregatícios

Mesmo diante da elevação da taxa de desocupação entre o último trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, o país apresentou diminuição do percentual de trabalhadores informais. Em março, 37,3% dos ocupados atuavam na informalidade, o que corresponde a 38,1 milhões de pessoas sem garantias trabalhistas formais. No fim de 2025, esse índice era de 37,6%. Já no primeiro trimestre do ano anterior, estava em 38%.

 

O número de empregados do setor privado com carteira assinada atingiu 39,2 milhões, mantendo estabilidade no período, mas revelando um aumento de 1,3% (504 mil pessoas a mais) no comparativo anual. Por outro lado, a quantidade de trabalhadores do setor privado sem carteira assinada caiu 2,1% (285 mil pessoas a menos) no trimestre e ficou estável na comparação com o mesmo período de 2025, totalizando 13,3 milhões.

 

O contingente de trabalhadores por conta própria permaneceu em 26 milhões, sem variação relevante no trimestre. Em relação ao primeiro trimestre de 2025, houve crescimento de 2,4%, o equivalente a 607 mil pessoas.

 

Metodologia da pesquisa e dados complementares

A pesquisa realizada pelo IBGE considera pessoas a partir de 14 anos de idade e abrange todas as formas de ocupação, incluindo emprego formal com carteira, trabalho temporário, autônomo e outras modalidades. Para o instituto, apenas é considerada desocupada a pessoa que buscou trabalho de maneira efetiva nos 30 dias anteriores à entrevista. O levantamento é feito em 211 mil domicílios, distribuídos por todos os estados brasileiros e pelo Distrito Federal.

 

Os dados da Pnad são divulgados um dia após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que monitora especificamente o emprego formal com carteira assinada. Em março, o saldo foi positivo, com a criação de 228 mil vagas formais. No acumulado de 12 meses, houve abertura de 1,2 milhão de postos de trabalho com registro em carteira.

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