Estudantes de escolas públicas e privadas de todas as regiões do Brasil têm até o dia 8 de junho para serem inscritos na Olimpíada de Matemática Mirim (Obmep Mirim), iniciativa do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) destinada a crianças matriculadas do 2º ao 5º ano do ensino fundamental.
Para as instituições de ensino públicas, não há cobrança de taxa de inscrição para participação na olimpíada. Essas escolas devem apenas comunicar a quantidade de alunos que irão participar do evento, não sendo necessário realizar inscrição individual de cada estudante nesta etapa inicial do processo.
Além disso, secretarias de Educação têm a possibilidade de efetuar a inscrição dos alunos utilizando o código MEC/Inep. Com esse código, é possível criar uma senha de acesso para realizar o cadastro no site oficial da olimpíada. O login no sistema será feito utilizando o código e a senha criados no momento da inscrição.
Desde o início da Obmep Mirim, em 2022, mais de 15 milhões de crianças já participaram das quatro edições anteriores. Somente em 2023, o número de estudantes inscritos ultrapassou 5 milhões, envolvendo aproximadamente 35 mil escolas, tanto públicas quanto privadas, segundo informações fornecidas pelo diretor adjunto do Impa e gerente de Olimpíadas, Jorge Vitório Pereira.
A estrutura da competição prevê duas etapas: a primeira fase, com provas classificatórias, ocorrerá em 25 de agosto. Os estudantes aprovados avançarão para a segunda fase, marcada para 10 de novembro. Os testes são divididos em dois grupos: Mirim 1, destinado a alunos do 2º e 3º anos do fundamental, e Mirim 2, direcionado aos estudantes do 4º e 5º anos.
Cada exame é composto por 15 itens de múltipla escolha. A correção das avaliações e a seleção dos alunos aptos para a fase seguinte serão realizadas pelas próprias escolas.
Na Obmep Mirim, os participantes que se destacam recebem certificados digitais de desempenho, equivalentes às medalhas de ouro, prata e bronze, em vez de medalhas físicas.
“A gente tem um Comitê de Provas extremamente cuidadoso que está sempre pensando no nível ao qual as questões têm que ser aplicadas. Para o pessoal do fundamental, o objetivo é mais despertar curiosidade, trazer a matemática quase como um jogo, como uma brincadeira. Então, nada de conteudismo; é usar e abusar de gráficos, de figuras, trazer elementos da realidade das crianças, para que a Obmep Mirim seja um prazer, uma brincadeira”, destacou Pereira.
O diretor adjunto do Impa explicou que, anualmente, mais escolas vêm sendo atraídas para o projeto, que busca estimular o interesse e aprimorar o ensino de matemática entre crianças. Pereira avaliou que o maior benefício é proporcionar aos professores materiais diferenciados e interessantes para trabalhar em sala de aula. Segundo ele, a olimpíada não tem caráter competitivo, sendo desenhada para funcionar como um jogo e proporcionar uma aproximação inicial dos estudantes com o universo da matemática, o que pode abrir portas para futuras oportunidades educacionais.
Ele também destacou que os ganhadores da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), voltada para as séries finais do ensino fundamental e ensino médio, além das medalhas, têm acesso a programas de iniciação científica, alguns dos quais oferecem bolsa. Atualmente, várias universidades já utilizam a Obmep como forma de acesso ao ensino superior.
Pereira observou que a experiência com a Obmep Mirim contribui positivamente para o desenvolvimento das crianças, permitindo que elas se familiarizem com a matemática de maneira leve e criativa, entendendo que a disciplina não é algo difícil ou assustador.
Pereira pontuou que as crianças das séries iniciais do ensino fundamental ainda não apresentam grande resistência ao estudo da matemática, o que reforça a importância de introduzir, nesse período, atividades prazerosas e criativas para despertar e manter o interesse dos alunos. Ele também mencionou que os professores têm à disposição uma quantidade cada vez maior de recursos didáticos, ampliando as possibilidades de ensino.
De acordo com o diretor-geral do Impa, Marcelo Viana, a criação da Olimpíada Mirim teve como propósito incentivar, desde os primeiros anos, o gosto pela matemática tanto entre os alunos quanto entre os professores.
"Queremos contribuir para que o aprendizado aconteça de forma mais envolvente, estimulando a curiosidade e o raciocínio lógico dentro da sala de aula”, reforçou.
Entre as crianças premiadas está Sophia Dutra, de 11 anos, vencedora das edições de 2024 e 2025 da Obmep Mirim. Ela relatou que a participação foi fundamental para seu desenvolvimento, pois o formato das provas é diferente das avaliações tradicionais e o conteúdo aprendido em sala pode ser aproveitado em outras olimpíadas. Sophia descreveu a experiência como "divertida, legal e interessante".
A Obmep Mirim conta com o apoio da B3 Social, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e é promovida pelos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Para este ano, o Impa lançará também a 1ª Olimpíada de Professores da Obmep Mirim, uma competição inédita voltada para docentes, com inscrições abertas de 4 a 29 de maio.