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Ataques de Israel destroem 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias

Bombardeios provocam fechamento de hospitais, milhares de mortos e grande deslocamento de civis no Líbano.

17/04/2026 às 19:39
Por: Redação

Em um período de 45 dias de conflito, bombardeios israelenses atingiram 129 unidades de saúde no território libanês, resultando na morte de 100 profissionais da área e deixando 233 feridos. Segundo informações do Ministério da Saúde do Líbano, 116 ambulâncias também foram alvejadas e seis hospitais tiveram que ser fechados.

 

“Esses incidentes constituem uma grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde”, afirmou, em nota, o escritório da Organização das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano.


 

O Ministério da Saúde libanês ressaltou que ataques a infraestruturas civis, incluindo de saúde, são tipificados como crimes de guerra. Nos últimos dias, Israel justificou as ofensivas alegando que instalações médicas estariam sendo utilizadas pelo Hezbollah, argumento que é questionado por entidades de direitos humanos.

 

Em Beirute, um aviso de evacuação emitido para dois hospitais gerou preocupação à Organização Mundial da Saúde (OMS), que manifestou apreensão com a situação.

 

Levantamentos do próprio Ministério da Saúde do Líbano, divulgados na sexta-feira (17), indicam um saldo de 2.294 mortos e 7.500 feridos durante o período, entre eles, ao menos 177 crianças mortas e 704 feridas.

 

Pelo menos sete jornalistas foram atingidos em ataques israelenses no Líbano, conforme estimativas recentes.

 

O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) realizou um cálculo que aponta para a destruição de 37.800 unidades habitacionais até 12 de abril, quatro dias antes do cessar-fogo. Os bairros mais impactados estão localizados nos subúrbios da capital Beirute.

 

Segundo o CNRS, esse montante representa em torno de 16% do total de danos acumulados nas fases anteriores do conflito. A instituição avaliou que houve uma intensificação significativa da destruição em curto intervalo de tempo, com grande parte dos prejuízos concentrados nesse recorte recente do conflito.

 

No primeiro dia de tréguas estabelecidas no Irã, um ataque de grande escala foi lançado por Israel sobre o Líbano, sobretudo nos subúrbios densamente habitados e áreas centrais de Beirute, com a morte de mais de 300 pessoas em cerca de dez minutos de bombardeio intenso.

 

O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, conhecedor das áreas atingidas, ressaltou que se tratam de regiões estritamente civis.

 

“Essa área é 100% civil. Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Ou seja, pela lei internacional, não podem ser atacados. O subúrbio de Beirute não é uma área militarizada. Não tinha porquê bombardear aquelas áreas”, declarou Assi.


 

Assi, que possui familiares na capital libanesa, contestou as alegações israelenses sobre a presença de foguetes nesses locais, afirmando que os prédios destruídos evidenciam a ausência desse tipo de armamento. Para ele, a intenção dos ataques seria forçar o deslocamento de civis e pressionar a sociedade libanesa.

 

Dados do Ocha indicam que, em decorrência de ordens para evacuação em massa, mais de 1,2 milhão de pessoas tiveram de deixar suas casas, o que representa aproximadamente 15% da população do país.

 

Na avaliação de Assi, o objetivo do governo israelense seria criar uma massa de deslocados que pudesse se voltar contra o Hezbollah. Apesar disso, ele relata que a maior parte da população ainda apoia a resistência, inclusive críticos ao grupo têm rejeitado a possibilidade de uma guerra civil interna.

 

O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, reiterou que a unidade nacional e a paz civil são inegociáveis, ressaltando que enfraquecê-las beneficiaria objetivos israelenses.

 

Israel sustenta que as operações miram estruturas militares do Hezbollah e mantém a acusação de uso de instalações civis pelo grupo para fins militares, hipótese negada pela organização xiita.

 

Ofensiva no sul do território libanês

 

O governo liderado por Benjamin Netanyahu declarou que sua operação visa estabelecer uma faixa desocupada até o Rio Litani, situada a cerca de 30 quilômetros da linha divisória entre Israel e Líbano.

 

No dia 16, Netanyahu informou que estava tentando conquistar a cidade de Bent Jbeil, que possui cerca de 30 mil habitantes.

 

Em março, Israel Katz, ministro da Defesa israelense, afirmou que milhares de pessoas que fugiram do sul do Líbano não teriam permissão para retornar às residências situadas ao sul do Rio Litani.

 

O deslocamento forçado de civis, em situações de guerra, também é considerado crime de guerra pela legislação internacional.

 

No último dia antes do cessar-fogo, o Exército israelense destruiu a última ponte sobre o Rio Litani, conhecida como Ponte de Qasmiyeh, isolando a região sul das demais áreas do país e interrompendo a ligação entre as cidades de Tiro e Sidon. Posteriormente, uma passagem provisória foi construída, permitindo que parte da população retorne.

 

O libanês-brasileiro Hussein Melhem, de 45 anos, que residia na cidade de Tiro com a esposa Cláudia Martins e as filhas, transferiu-se para a região metropolitana de Beirute após o início da nova fase da guerra em 2 de março. Ele manifestou incerteza sobre quando poderá voltar para casa e relatou a dificuldade de retorno devido à grande quantidade de pessoas tentando cruzar para o sul, além de temer que o cessar-fogo não seja duradouro.

 

“Quero voltar esta semana, mas tem que diminuir a fila um pouco porque está uma luta para voltar ao sul, tem muita gente”, relatou Melhem, acrescentando que não está seguro de que a trégua possa durar.


 

O especialista Anwar Assi afirmou que, em sua análise, as ações de Israel visam promover uma limpeza étnica por meio da expulsão dos moradores do sul do Líbano e da tomada desses territórios. Segundo ele, instalações como escolas, hospitais, prédios do governo e demais unidades de suporte à população civil foram propositalmente destruídas para inviabilizar a retomada dos civis às suas cidades de origem, retirando qualquer possibilidade de apoio à reconstrução.

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