Após ter sua indicação ao Supremo Tribunal Federal rejeitada pelo Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, fez sua primeira declaração pública nesta quarta-feira, 29 de abril. Messias afirmou que participou de todo o processo de indicação de maneira íntegra, transparente e honesta, agradecendo aos votos recebidos e demonstrando aceitação diante do resultado.
O plenário do Senado Federal registrou 42 votos contrários à indicação de Messias para o cargo de ministro do STF, enquanto 34 senadores foram favoráveis. Para a aprovação do nome do advogado-geral da União, seriam necessários pelo menos 41 votos favoráveis dos 81 parlamentares. Com a rejeição, o processo de indicação foi encerrado e arquivado.
Em sua fala a jornalistas, Messias destacou que sua participação na sabatina foi marcada por sinceridade e transparência, expondo seus posicionamentos e sentimentos de forma clara diante dos senadores.
"Me submeti a uma sabatina de coração aberto, de alma leve, espírito franco. Falei a verdade, falei o que penso, falei o que sinto, demonstrei o que sinto. Agora, a vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas. Temos que aceitar, o Senado é soberano, o plenário do Senado é soberano. O plenário falou. Agradeço os votos que recebi, faz parte do processo democrático saber ganhar, saber perder", disse o ministro da AGU em declaração a jornalistas, após o resultado.
O advogado-geral da União também ressaltou que, ao longo dos cinco meses desde a indicação, enfrentou uma intensa campanha de desconstrução de sua imagem, mas reafirmou possuir vida limpa e agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela confiança depositada em seu nome.
"O presidente Lula me deu uma grande honra de ter participado desse processo e agradeço a ele pela oportunidade. Eu não encaro isso aqui como um fim, isso aqui é uma etapa do processo da minha vida", acrescentou.
Messias enfatizou que, apesar de sua trajetória de servidor público de carreira, não depende de cargos públicos para dar continuidade à sua carreira profissional. Ele também mencionou o apoio recebido por segmentos religiosos, uma vez que é evangélico.
No decorrer de sua declaração, Messias ressaltou a necessidade de aceitar os resultados, fazendo referência à soberania do Senado e ao valor do processo democrático.
"Não é simples alguém com a minha trajetória passar por uma reprovação. Mas eu quero dizer algo muito importante, eu aprendi que a minha está nas mãos de Deus, e Deus sabe de todas as coisas. Deus tem um plano para a nossa vida, para a vida de cada um de nós. Lutei o bom combate, como todo cristão e preciso aceitar o plano de Deus na minha vida", prosseguiu Jorge Messias.
O nome de Jorge Messias foi anunciado como indicação do presidente Lula há cerca de cinco meses, para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou de forma antecipada em outubro de 2025. A mensagem oficial de indicação, intitulada MSF 7/2026, chegou ao Senado apenas no início de abril deste ano.
Esta rejeição marca uma situação inédita em mais de 130 anos, sendo a primeira vez nesse período que o nome de um indicado ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal não é aprovado pelo Senado Federal.