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Dólar fecha abaixo de cinco reais e atinge menor cotação desde 2022

Cotação do dólar comercial recua 0,99% em abril e real se destaca entre as moedas com melhor desempenho global

01/05/2026 às 19:30
Por: Redação

O mês de abril terminou com forte otimismo no mercado financeiro brasileiro, refletido na expressiva queda do dólar comercial. O fechamento da moeda norte-americana ocorreu em 4,952 reais nesta quinta-feira, 30, o que representa recuo de 0,049 real, equivalente a 0,99% em relação ao dia anterior. Esse patamar é o mais baixo registrado desde 7 de março de 2024.

 

Ao longo do mês, o dólar acumulou desvalorização de 4,38% frente ao real. No acumulado do ano, a queda atinge 9,77%, destacando o desempenho do real entre as moedas com melhor resultado no cenário internacional recente.

 

O ambiente positivo no mercado brasileiro foi impulsionado por fatores externos e pela postura adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em seu último comunicado, que apresentou tom considerado rígido pelos investidores. Esse contexto resultou em crescente interesse global por ativos de risco, com destaque para o fluxo de capital estrangeiro direcionado a economias emergentes.

 

Entre os fatores que favoreceram a valorização do real em relação ao dólar estão tanto a perda de força global da moeda norte-americana, observada em diversos mercados, quanto a busca por investimentos em países que mantêm taxas de juros mais elevadas.

 

No caso do Brasil, mesmo com o início do ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic permanece em níveis considerados altos. O Banco Central decidiu, na quarta-feira, 29, diminuir a Selic para 14,50% ao ano, mas adotou postura cautelosa em relação a novos cortes, em função de riscos inflacionários presentes no cenário econômico.

 

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve optou por manter as taxas de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, ampliando assim o diferencial em relação à taxa praticada no Brasil. Esse fator contribui para o aumento da atratividade dos ativos brasileiros entre investidores internacionais em busca de maior rendimento.

 

Além do dólar, o euro também registrou queda significativa no mercado brasileiro nesta quinta-feira. A moeda europeia encerrou o dia cotada a 5,811 reais, com recuo de 0,48%, alcançando o menor valor desde 24 de junho de 2024.

 

Mercado de ações reage positivamente após sequência de quedas

Após seis sessões consecutivas de baixa, o índice Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira (B3), encerrou o pregão desta quinta-feira com valorização de 1,39%, chegando aos 187.318 pontos.

 

Esse avanço foi resultado tanto do aumento da entrada de recursos externos quanto da revisão das perspectivas em relação à política monetária brasileira. A sinalização de que os cortes na Selic tendem a ocorrer de maneira mais gradual contribuiu para fortalecer a percepção de estabilidade econômica e favorecer o mercado acionário.

 

Apesar da recuperação registrada neste último dia do mês, o índice Ibovespa terminou abril praticamente sem variação relevante, pois as perdas acumuladas nos dias anteriores anularam parte dos ganhos obtidos recentemente.

 

Dentro do contexto doméstico, os agentes do mercado monitoraram indicadores econômicos e decisões políticas, que tiveram impacto restrito sobre os preços dos ativos. Dados relativos ao mercado de trabalho brasileiro evidenciaram resiliência da economia, o que reforçou a avaliação de que há menor espaço para cortes acelerados da taxa de juros no curto prazo.

 

Oscilações do petróleo no cenário internacional

A volatilidade dos preços do petróleo seguiu como um elemento de destaque no comportamento dos mercados mundiais. A cotação internacional do produto apresentou forte variação ao longo do dia, impulsionada por tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio.

 

Durante o pregão, os preços do barril chegaram a ultrapassar a marca de 120 dólares, mas perderam força nas horas seguintes. O barril de Brent, referência para a Petrobras, fechou cotado a 110,40 dólares, praticamente estável. Já o barril do tipo WTI, comercializado nos Estados Unidos, encerrou em 105,07 dólares, com queda de 1,69%.

 

As oscilações recentes refletem incertezas quanto ao fornecimento mundial de petróleo, especialmente devido a conflitos envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além de restrições nas operações do Estreito de Hormuz, importante via internacional de transporte da commodity. Mesmo com quedas pontuais, os preços permanecem em níveis elevados, o que mantém pressão sobre a inflação global e afeta decisões de política monetária em diferentes regiões.

 

Com informações da Reuters.

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