Em um contexto internacional com menor aversão ao risco, o dólar comercial terminou esta sexta-feira negociado a quatro reais e novecentos e noventa e oito centavos, representando uma leve desvalorização de 0,1% no fechamento do pregão.
O cenário foi influenciado principalmente pelas expectativas positivas sobre a retomada das conversas entre Estados Unidos e Irã, o que contribuiu para melhorar o ambiente externo e diminuir a procura global por ativos considerados mais seguros, como a moeda norte-americana. Com isso, divisas de países emergentes, como o real, foram favorecidas.
Ainda assim, ao longo da semana, o dólar acumulou um pequeno avanço de 0,32%. No acumulado do ano, porém, a moeda registrou uma queda de 8,92%, acompanhando a valorização do real, que chegou a trazer a cotação à menor marca em mais de dois anos.
Nos últimos pregões, o mercado cambial passou por ajustes técnicos, com investidores optando pela realização de lucros após a forte desvalorização recente da moeda norte-americana frente ao real.
O Banco Central anunciou intervenção no mercado cambial, oferecendo dólares à vista e contratos futuros em uma operação conhecida como "casadão". No entanto, a instituição não aceitou as propostas apresentadas, sinalizando que naquele momento não julgou necessária sua atuação efetiva.
O índice Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações brasileiras, encerrou o dia em baixa de 0,33%, atingindo cento e noventa mil setecentos e quarenta e cinco pontos. Esse resultado representa o menor patamar desde o dia quatorze de abril.
Durante o pregão, o Ibovespa chegou a ficar abaixo dos cento e noventa mil pontos, reflexo do movimento de realização de lucros, ou seja, investidores venderam ações para garantir os ganhos após os recordes recentes. Esta foi a terceira sessão consecutiva de perdas para o índice, que apresentou avanço em apenas um pregão nas últimas sete sessões.
No acumulado da semana, a bolsa apresentou retração de 2,55%. Apesar deste resultado negativo, o Ibovespa registra alta de 1,75% no mês e um crescimento expressivo de 18,38% no ano.
Entre os fatores que influenciaram o desempenho negativo destacam-se os papéis do setor petrolífero e o cenário internacional misto, já que os mercados norte-americanos tiveram comportamentos distintos: os índices tecnológicos avançaram, enquanto os setores tradicionais recuaram na sessão desta sexta-feira.
Os contratos futuros de petróleo registraram forte volatilidade ao longo do dia, reflexo simultâneo de tensões geopolíticas e indícios de possível distensão no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
O barril do Brent, referência internacional e parâmetro utilizado pela Petrobras, fechou cotado a noventa e nove dólares e treze centavos para o contrato de junho, representando queda de 0,22%. Já o WTI, referência norte-americana, terminou o dia em noventa e quatro dólares e quarenta centavos, com recuo de 1,5%.
Apesar das quedas no dia, o Brent acumulou valorização de 16% na semana, enquanto o WTI teve ganho próximo a 13% no mesmo período.
Essas oscilações são resultado das preocupações com a oferta global de petróleo, principalmente em função do conflito no Oriente Médio. A situação no Estreito de Ormuz, importante rota internacional de transporte do produto, permanece crítica, com tráfego reduzido e ocorrências de apreensão de navios.
Com informações da Reuters