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Estudo alerta que tratamentos ultrapassados agravam asma em adultos

Pesquisa aponta que 60% dos adultos com asma têm função pulmonar prejudicada devido a práticas desatualizadas em UBSs

07/05/2026 às 01:23
Por: Redação

Um estudo realizado com aproximadamente 400 pessoas atendidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) revelou que 60% dos adultos com asma apresentam redução na função pulmonar devido ao uso de abordagens terapêuticas consideradas antigas, como a utilização exclusiva de broncodilatadores de curta ação, popularmente conhecidos como bombinhas de resgate. Entre as crianças avaliadas, esse índice foi de 33%.

 

A pesquisa, conduzida pelo Projeto CuidAR, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), em conjunto com o Ministério da Saúde, evidenciou que a maioria dos pacientes acompanhados pela Atenção Primária à Saúde (APS) recebe prescrições que não seguem as recomendações atuais, o que os expõe a lesões pulmonares significativas.

 

Mais da metade dos participantes adultos com diagnóstico de asma faz uso das bombinhas de resgate como única medicação. Esse método terapêutico, embora seja amplamente empregado, é considerado inadequado conforme as diretrizes internacionais da Iniciativa Global para Asma (GINA, na sigla inglesa), que apontam que tais broncodilatadores apenas aliviam temporariamente os sintomas, sem tratar a inflamação subjacente. O uso prolongado desses medicamentos aumenta o risco de crises graves e pode elevar a mortalidade.

 

No contexto do estudo, os autores verificaram que os adultos que já apresentavam função pulmonar reduzida não conseguiram recuperar a capacidade respiratória mesmo após a administração do broncodilatador durante a espirometria, procedimento adotado para mensurar o desempenho pulmonar. O pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, responsável técnico pela pesquisa, detalhou os achados.

 

“Nosso estudo mostra que tanto crianças quanto adultos começaram o teste de função pulmonar com o pulmão funcionando abaixo do esperado antes de usar a bombinha. Após o remédio, um terço das crianças e a maioria dos adultos não conseguiram normalizar a função pulmonar, o que sugere que, em muitos casos, o dano ao pulmão já pode ser irreversível devido à falta de tratamento adequado ao longo dos anos,” aponta Pitrez.


 

Segundo as orientações atuais, pessoas com asma devem utilizar uma combinação de broncodilatadores de longa ação (LABA) e medicamentos anti-inflamatórios inaláveis. Entretanto, conforme Pitrez, grande parte das UBSs ainda recorre a protocolos antigos, priorizando o alívio imediato dos sintomas, o que é insuficiente para o controle a longo prazo da doença.

 

“É imperativo mudarmos esse paradigma, não só por meio da implementação de estratégias preventivas e farmacológicas atualizadas no SUS, mas também através da conscientização da população, que não deve ignorar a gravidade da doença, principalmente em um cenário de longo prazo," afirma o médico.


 

Conforme dados levantados, a inadequação do tratamento impacta negativamente o cotidiano da população asmática – que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, soma cerca de 20 milhões de pessoas no país. Nos últimos doze meses, aproximadamente 60% dos pacientes perderam dias letivos ou de trabalho em razão da condição. Entre crianças e adolescentes, o absenteísmo escolar supera 80%, enquanto entre adultos chega a 50%, prejudicando a aprendizagem e a produtividade.

 

O estudo ainda aponta que quase 70% dos pesquisados vivenciaram três ou mais crises recentes de asma. Quase metade precisou recorrer ao pronto-socorro, sendo que desses, 10% necessitaram de internação hospitalar.

 

Outro dado destacado refere-se à mortalidade: artigo publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia indica que o número de óbitos em decorrência da doença vem aumentando, com registro médio de seis mortes diárias no Brasil.

 

Soluções propostas para o atendimento e diagnóstico

Os autores do estudo também sugerem alternativas para reduzir hospitalizações e melhorar o diagnóstico da asma no Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as propostas está a introdução de um dispositivo destinado à medição do pico de fluxo expiratório, conhecido como Peak Flow. O aparelho, de fácil manuseio, custa em torno de 200 reais, valor significativamente inferior ao exame de espirometria completo, que pode chegar a 15 mil reais.

 

O Projeto CuidAR busca, ainda, transformar o cenário do atendimento nas UBSs por meio da capacitação continuada dos profissionais de saúde, promovendo atualização no manejo clínico da asma e orientando quanto à gravidade e necessidades específicas de tratamento da doença.

 

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