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Palácio Tiradentes completa 100 anos com semana de eventos gratuitos

Edifício histórico da Alerj celebra cem anos com roteiro especial, visitas guiadas e ações culturais abertas ao público.

06/05/2026 às 13:25
Por: Redação

O edifício histórico que abriga a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), localizado no centro da capital fluminense, atinge a marca de um século de existência nesta quarta-feira, 6 de maio. Para celebrar a data, está prevista uma série de atividades abertas ao público durante toda a semana, sem custo para os participantes.

 

Douglas Liborio, doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor da obra dedicada ao edifício, destaca que o mesmo 6 de maio assinala também 200 anos do surgimento do Parlamento no Brasil. Liborio ressalta que o Palácio Tiradentes foi erguido em quatro anos para sediar a Câmara dos Deputados, conforme projeto do arquiteto cearense Arquimedes Memória em parceria com o franco-suíço Francisco Cuchet. Sua inauguração ocorreu em 1926, coincidindo com o centenário do Poder Legislativo no país. À época, o plenário comportava 212 deputados.

 

Segundo o historiador, concebeu-se o Palácio Tiradentes como uma representação em escala reduzida da nação brasileira, com cada ambiente simbolizando um estado federativo. O estado de São Paulo ficou responsável pela execução do plenário, Minas Gerais construiu a sala da presidência, enquanto o Rio Grande do Sul ficou encarregado da sala da Comissão de Finanças, e o antigo estado do Rio de Janeiro contribuiu com o revestimento de mármore das galerias.

 

O prédio inicialmente foi batizado de Palácio da Câmara dos Deputados. O nome atual, Palácio Tiradentes, foi instituído dez anos mais tarde, por força do projeto de Lei nº 618 de 1936, proposto pelo deputado João Batista Gomes Ferraz, de São Paulo.

 

Características arquitetônicas e relevância histórica

A construção do Palácio Tiradentes segue padrões de estilos históricos, inspirados em monumentos públicos europeus, entre eles o monumento ao imperador Vitório Emanuelle II, localizado em Roma. Apesar de apresentar elementos arquitetônicos do passado, como colunas, escadarias e esculturas de inspiração greco-romana, o edifício foi considerado moderno para a época por empregar concreto armado em sua estrutura, um avanço tecnológico inovador nos anos 1920.

 

Liborio ressalta que o uso do concreto armado nessas construções contribuiu para o início do processo de verticalização da cidade do Rio de Janeiro, que teve seu ápice com o edifício A Noite, na Praça Mauá.

 

De acordo com o historiador, o Palácio Tiradentes foi o primeiro imóvel pensado desde o início para ser sede do poder republicano brasileiro. Os demais prédios utilizados anteriormente eram adaptações de edifícios do período imperial, caso do Palácio do Catete, que virou sede do governo federal, e do Palácio do Itamaraty, transformado no Ministério das Relações Exteriores. O Palácio Monroe, por exemplo, foi um pavilhão da Exposição Universal de St. Louis que se tornou sede tanto da Câmara dos Deputados (1914-1922) quanto do Senado Federal (1925-1960).

 

A influência do Palácio Tiradentes se estendeu até Brasília, uma vez que Oscar Niemeyer, ao projetar o Congresso Nacional, buscou inspiração nos palácios do Rio de Janeiro, especialmente no Tiradentes. O espaço denominado chapelaria, existente no prédio carioca para guardar chapéus, teve seu nome transferido para a entrada do Congresso em Brasília, mantendo a referência original, embora sem a mesma função.

 

Liborio destaca que a reflexão sobre o Palácio Tiradentes remete à própria formação da cidadania no Brasil, ao buscar consolidar a representação política no Parlamento.

 

“Ele nos lembra sobre a importância da preservação do patrimônio enquanto forma de educação. O passado está aqui para nos lembrar de certas coisas que não podem ser repetidas”.


 

Foi em 15 de março de 1975 que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro realizou sua primeira sessão no Palácio Tiradentes.

 

Memória política e percurso histórico

Segundo Fernanda Figueiredo, diretora de Cultura da Alerj, o edifício é peça fundamental para o entendimento da trajetória política nacional. Ela afirma que o local já foi palco de inúmeras votações e mantém o papel de evidenciar a história da arquitetura, da política e do Legislativo ao longo de um século. Fernanda enfatiza que o Palácio continua ativo e “a história ainda acontece no Tiradentes”.

 

A programação especial tem início na terça-feira, 5 de maio, trazendo um novo roteiro de visita guiada com foco em arquitetura e artes. O percurso evidencia esculturas, pinturas, alegorias e materiais empregados na construção, revelando aspectos históricos e referências artísticas que influenciaram a formação da identidade republicana brasileira.

 

Fernanda Figueiredo explica que o objetivo da visita guiada temática de arquitetura é detalhar elementos não abordados na visita tradicional, atendendo inclusive à demanda de estudantes de arquitetura. Ela exemplifica que o roteiro inclui explicações sobre a escultura de Tiradentes, localizada na área externa, e sobre as 11 estátuas de inspiração greco-romana dispostas na fachada do edifício.

 

O roteiro guiado inclui os seguintes pontos:

 

  • Fachada e detalhes da arquitetura do prédio;
  • Alegorias e símbolos presentes na República;
  • Obras de arte e características específicas da decoração;
  • Placas que contam a história do local;
  • Saguão Getúlio Vargas, Salão Nobre, Sala do Café, Plenário Barbosa Lima Sobrinho e Maria Portugal Duque Costa.

 

A guia Ana Catarina Santiago Soares, estudante de museologia, relata que o edifício anterior, construído por volta de 1640, era utilizado como Casa de Câmara e Cadeia no período colonial, abrigando no térreo uma prisão e, no andar superior, o Parlamento. Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira, esteve preso nesse local por três dias. O prédio foi demolido em 1822 para dar lugar ao Palácio Tiradentes.

 

No dia do centenário, 6 de maio, ocorrerá o lançamento de um selo comemorativo em parceria com os Correios, além de um carimbo especial criado para a ocasião.

 

Durante a terça-feira, 6 de maio, haverá ainda visitas guiadas teatralizadas, com sessões de hora em hora a partir das 10h, possibilitando aos visitantes conhecer de perto acontecimentos marcantes dos 100 anos do palácio e interagir com atores personificando figuras históricas.

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