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CMN veta apostas sobre esportes, política e entretenimento em mercados de previsões

Apostas sobre esportes, política e entretenimento deixam de ser permitidas em mercados de previsões no Brasil a partir de maio; contratos de temas financeiros seguem liberados.

24/04/2026 às 19:53
Por: Redação

A partir de maio, contratos de apostas envolvendo temas como esportes, política, entretenimento e outros eventos não relacionados a variáveis econômicas passam a ser proibidos nas plataformas de mercado de previsões no território brasileiro. A decisão foi estabelecida por meio de resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovada em sessão na noite do dia 23 e divulgada no dia seguinte.

 

A norma elimina uma lacuna regulatória e determina regras mais rigorosas para operações desse tipo, restringindo a atuação dessas plataformas a negociações apenas com base em temas econômicos e financeiros, como inflação, juros e preços de commodities, produtos de cotação internacional.

 

De acordo com o novo regulamento, permanece autorizado apenas o uso de contratos vinculados a indicadores financeiros, tais como taxas de juros, inflação, câmbio, preço do petróleo e de outras commodities. Esses contratos continuam sob regulação e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pelo acompanhamento do mercado financeiro.

 

Entenda como funcionam os mercados preditivos

 

Os chamados mercados preditivos operam como uma espécie de bolsa de apostas, onde usuários negociam contratos com base em perguntas objetivas sobre eventos futuros, do tipo "acontecerá ou não?". Caso o evento previsto ocorra, os participantes recebem valores; na ausência do evento, perdem o investimento. Diferentemente das tradicionais apostas em casas (bets), nas quais as empresas definem as regras e arcam com os prêmios, nesses mercados a negociação ocorre diretamente entre os próprios usuários, e os contratos são classificados como derivativos, já que dependem do valor futuro de determinado item.

 

Temas proibidos e restrições para as plataformas

 

Com a entrada em vigor da resolução, ficam vedadas apostas em contratos relacionados a resultados de partidas esportivas, eleições e assuntos políticos, reality shows e outras atrações de entretenimento, assim como eventos sociais e culturais. A proibição se aplica tanto a plataformas nacionais quanto internacionais que ofereçam esses produtos para o público brasileiro.

 

Na prática, a grande maioria dos contratos de sucesso nessas plataformas não será mais permitida. A restrição também alcança empresas estrangeiras que operam oferecendo tais apostas para usuários do Brasil.

 

Temas financeiros permanecem liberados

 

Mesmo com a nova regulamentação, segue autorizada a negociação de contratos atrelados a variáveis econômicas, como taxa básica de juros, índices de inflação, câmbio e valores de commodities. Todos esses instrumentos continuam sendo acompanhados e regulados pela CVM.

 

Motivações para a decisão regulatória

 

A principal justificativa apresentada pelo governo federal é o entendimento de que apostas sobre acontecimentos não financeiros se equiparam, na prática, a jogos de azar, não sendo enquadradas como investimentos. Dessa maneira, somente as bets — plataformas que contam com licença expedida pelo Ministério da Fazenda, pagam taxas e obedecem a normas de proteção ao jogador — poderão oferecer apostas em eventos não financeiros.

 

Sem cumprir esses requisitos, as plataformas de mercado preditivo passaram a ser consideradas concorrentes irregulares das bets, o que motivou a decisão de restringir seu campo de atuação.

 

Impacto das novas regras para o setor

 

O alcance das empresas de mercado preditivo será significativamente reduzido, especialmente para aquelas que ofertavam contratos relacionados a eleições e eventos globais. A restrição busca evitar riscos para investidores, coibir práticas de especulação excessiva e organizar um segmento que vinha se expandindo sem normas objetivas.

 

A regulamentação complementar e a fiscalização das novas regras ficarão a cargo da Comissão de Valores Mobiliários, que assumirá a responsabilidade de garantir o cumprimento integral das normas estabelecidas pelo CMN.

 

Data de início da vigência

 

As determinações contidas na resolução entram em vigor no dia 4 de maio, como parte do esforço do governo federal para ordenar o mercado de apostas e instrumentos financeiros no país.

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