Em 2025, o Brasil registrou a perda de 1,6 milhão de hectares de cobertura arbórea em áreas de floresta tropical úmida, conforme balanço divulgado pelo Global Forest Watch, projeto conduzido pelo World Resources Institute (WRI). O levantamento aponta que esse montante representa uma redução de 42% nas perdas em comparação ao ano de 2024, sendo observada maior influência dos desmatamentos que ocorrem sem o uso do fogo. Nessas situações, entram fatores como desmatamento, corte raso e mortalidade natural.
Segundo Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch, o país diminuiu as perdas não ligadas a incêndios em 41% frente ao resultado de 2024, atingindo o menor índice desde o início do monitoramento, realizado desde 2001.
Entre os estados brasileiros que mais contribuíram para a redução das perdas estão Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima. Juntos, esses estados responderam por mais de 40% da diminuição total. Por outro lado, o Maranhão foi a única unidade da Federação a registrar aumento na área de cobertura arbórea perdida em 2025.
O levantamento elaborado anualmente pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad), da Universidade de Maryland, contempla a análise de vegetação primária, ou seja, áreas maduras e preservadas com vegetação nativa. De acordo com pesquisadores do WRI, o método empregado difere do sistema brasileiro de monitoramento oficial, o Prodes, que se dedica ao desmatamento da Amazônia por satélite. O Global Forest Watch considera ainda perturbações florestais como corte seletivo e mortalidade natural, além do desmatamento propriamente dito.
Elizabeth Goldman destaca que, embora haja distinções metodológicas entre os sistemas, os resultados do Global Forest Watch para o Brasil estão alinhados à tendência verificada pelo Prodes, referente ao declínio do desmatamento nos principais biomas nacionais no período de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025.
“Além das florestas tropicais primárias, pensando em toda a perda arbórea, a maioria dos biomas viram uma redução, inclusive a Caatinga, que é uma região de florestas secas no Nordeste do Brasil”, destaca a pesquisadora.
Mirela Sandrini, diretora executiva da WRI Brasil, avalia que o resultado positivo é fruto de esforço conjunto do governo federal, sociedade civil, pesquisadores, comunidades locais e setor privado. Segundo ela, medidas como o aumento da produção em áreas já desmatadas, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), ações de pagamento por serviços ambientais e incentivos fiscais para preservação estão de acordo com expectativas globais para os próximos anos.
Sandrini ainda observa que o protagonismo do Brasil em soluções de larga escala para desafios ligados à alimentação, energia e proteção do clima contribui para a importância dos resultados obtidos.
Pesquisadores do Global Forest Watch ressaltam que a redução brasileira influenciou positivamente os dados globais referentes a 2025, que apontaram para uma perda de 4,3 milhões de hectares de cobertura arbórea em floresta tropical úmida em todo o planeta. Esse número representa uma queda de 35% em relação a 2024, quando houve recorde de 6,7 milhões de hectares perdidos.
As perdas não relacionadas a incêndios alcançaram o menor patamar dos últimos dez anos, com decréscimo de 23% sobre o ano anterior. Por outro lado, a perda de vegetação associada a incêndios permaneceu elevada, sendo a terceira maior já registrada desde 2001. Os dados de incêndios florestais de 2025 ainda estão sob revisão, pois parte das ocorrências pode estar relacionada a registros atrasados do ano anterior. Elizabeth Goldman esclarece que a presença de fumaça densa pode dificultar a detecção via satélite e atrasar o reconhecimento desses eventos.
O Brasil representou 37% do total mundial de área arbórea perdida em 2025, sendo o país com maior extensão de floresta suprimida naquele ano. A Bolívia, com 620 mil hectares, e a República Democrática do Congo, com quase 600 mil hectares, completam a lista dos três países com maiores perdas absolutas. Avaliando-se proporcionalmente ao tamanho das florestas, Bolívia e Madagascar tiveram os maiores percentuais de perda.
“A expansão agrícola foi a principal causa da perda de cobertura arbórea nos trópicos, devido à produção de commodities e mudança nos cultivos para subsistência dos mercados locais”, acrescenta a codiretora do WRI.
O levantamento do Global Forest Watch identifica que, globalmente, os incêndios florestais foram a principal origem da perda de vegetação arbórea em 2025. Nos últimos três anos, a quantidade de cobertura verde destruída pelo fogo foi o dobro do registrado nas duas décadas anteriores.
Elizabeth Goldman considera a diminuição da perda florestal nos trópicos em 2025 um avanço, porém avalia que o resultado ainda não é suficiente para que o compromisso firmado por 140 países – de interromper e reverter a perda florestal até 2030 – seja alcançado. Segundo a pesquisadora, as cifras atuais ainda estão 70% acima do necessário para que a meta seja cumprida.
“Alcançar essa meta nos próximos anos não será fácil porque as florestas estão mais vulneráveis às mudanças climáticas, e a humanidade continua crescendo e aumentando a sua demanda por combustíveis e alimentos”, conclui Elizabeth Goldman.