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Lula defende reciprocidade após retirada de agente dos EUA do Brasil

Presidente justifica ação após retaliação dos EUA e anuncia contratação de mil agentes para a PF

23/04/2026 às 11:29
Por: Redação

Durante declaração nesta quarta-feira, 22 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou como positiva a decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de cancelar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.

 

De acordo com Lula, a ação está fundamentada no princípio da reciprocidade entre as nações, sendo uma resposta direta à postura do governo norte-americano em relação ao Brasil.

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", declarou Lula em vídeo publicado nas redes sociais, em que aparece ao lado do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.


 

A retirada do agente americano do Brasil foi determinada após o governo dos Estados Unidos exigir a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, também da Polícia Federal, que estava lotado no país norte-americano. Esse delegado esteve envolvido diretamente na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Pela manhã, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) comunicou, por meio de nota divulgada na rede social X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi informada na terça-feira, 21 de abril, sobre a decisão do governo brasileiro de adotar o princípio da reciprocidade. Segundo o comunicado, a medida foi tomada diante da decisão sumária dos Estados Unidos contra o agente da Polícia Federal, sem qualquer solicitação prévia de esclarecimento ou tentativa de diálogo, etapas previstas em acordo bilateral de cooperação na área policial.

 

O MRE destacou ainda que a decisão dos Estados Unidos não seguiu as práticas diplomáticas recomendadas para o diálogo entre países considerados aliados, ressaltando a longa tradição de mais de dois séculos de relacionamento entre Brasil e Estados Unidos.

 

"O agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança", acrescentou o ministério na nota, esclarecendo que o mesmo tratamento foi dispensado ao representante norte-americano.


 

Contexto da atuação dos delegados

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos comunicou na segunda-feira, 20 de abril, que solicitou a saída de um "funcionário brasileiro" do território norte-americano. Embora não tenha mencionado nomes, a nota faz referência ao delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, que participou da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), havia sido condenado em 2023 pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão, em decorrência de sua participação em uma tentativa de golpe de Estado. Após a condenação, Ramagem perdeu seu mandato e deixou o Brasil para evitar o cumprimento da pena, estabelecendo residência nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou que fosse enviado aos Estados Unidos um pedido formal de extradição de Ramagem, encaminhado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Segundo informações da Polícia Federal, em abril, a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração dos Estados Unidos foi resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. O ex-deputado foi detido na cidade de Orlando e permanece considerado foragido da Justiça brasileira, respondendo por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Reforço na Polícia Federal

 

Durante o vídeo divulgado nas redes sociais, Lula anunciou também a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal, com objetivo de ampliar o efetivo nas operações realizadas em portos, aeroportos e áreas de fronteira. Segundo o presidente, essa medida integra o compromisso do governo federal com o enfrentamento ao crime organizado.

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