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Inhotim comemora 20 anos com três novas atrações no segundo semestre

Museu em Brumadinho (MG) apresenta exposição histórica, retorno de obra sonora e instalação inédita de Cildo Meireles.

04/05/2026 às 12:07
Por: Redação

O Instituto Inhotim, situado em Brumadinho (MG), prepara uma série de celebrações para marcar suas duas décadas de existência, com o anúncio de três novas atrações programadas para o segundo semestre de 2026. As festividades tiveram início em 25 de abril de 2026, quando o maior museu a céu aberto da América Latina inaugurou três obras: Contraplano, de Lais Myrrha; Dupla Cura, de Dalton Paula; e Tororama, de Davi de Jesus Nascimento.

 

As próximas inaugurações incluem uma exposição comemorativa em setembro, que abordará os 20 anos de funcionamento do instituto. Em outubro, o público poderá conferir o retorno da obra The Murder of Crows e a incorporação de uma nova instalação na Galeria Cildo Meireles.

 

Memória e Futuro do Inhotim

 

A exposição comemorativa dos 20 anos será instalada no Centro de Educação e Cultura Burle Marx e tem como objetivo revisitar os marcos importantes da trajetória do museu. Por meio de uma abordagem imersiva, a mostra fará um resgate histórico da instituição, prestando uma homenagem ao seu fundador, o empresário mineiro Bernardo Paz.

 

A gente vai fazer uma grande homenagem à história do Inhotim e do fundador, para reconhecer o passado e construir um futuro, porque ninguém faz o futuro sem olhar para o passado e viver o presente.

A declaração foi feita por Paula Azevedo, diretora-presidente do Inhotim, à Agência Brasil, ao lembrar que o instituto nasceu do sonho do fundador, que dedicou sua vida ao projeto do museu.

 

Paula Azevedo também enfatizou que o Inhotim foi concebido com foco nas pautas ESG, sigla em inglês para Environmental, Social, and Governance (Meio Ambiente, Social e Governança).

 

Naquela época, as pautas ESG eram muito incipientes e Inhotim já tinha ligação muito forte, no seu DNA, entre arte, natureza e educação. Isso é o que a gente trabalha para que fique na nossa missão eternamente.

 

Novidades na Galeria Cildo Meireles e Retorno de Obra Sonora

 

Em outubro, será entregue a renovação arquitetônica da Galeria Cildo Meireles. A galeria receberá uma nova obra: Missão/Missões (Como construir catedrais). O espaço já abriga as mostras Desvio para o vermelho, Glove Trotter e Através.

 

Também em outubro, o museu trará de volta uma obra icônica e modernizada que obteve grande sucesso junto ao público: The Murder of Crows. Esta instalação sonora, criada pelos artistas canadenses Janet Cardiff e George Bures Miller, é composta por 98 alto-falantes e oferece uma experiência sensorial imersiva, misturando elementos de realidade e sonho, presente e passado.

 

A diretora-presidente informou que, até 2030, não há planos para a construção de novas galerias, pois o Inhotim enfrenta um grande desafio na manutenção das edificações existentes. O instituto abrange 140 hectares de visitação e possui, atualmente, mais de 800 obras em exposição, criadas por 50 artistas de mais de 18 países.

 

O que a gente tem feito é olhar para o que já temos que tem uma potência enorme e revisitar, como a gente fez no pavilhão da Claudia Andujar e está fazendo agora na do Cildo.

 

Impacto da Arte para Visitantes

 

Karine dos Santos Reis, uma educadora física de 49 anos, residente na cidade do Rio de Janeiro, dedicou dois dias à visitação do Inhotim para explorar toda a sua coleção. Ela destacou as instalações Lama Lâmina e Sonic Pavillion como as mais impactantes.

 

A arte desengessa o teu pensamento. Você chega com uma ideia e sai com outra. Está sendo uma experiência transformadora.

 

A obra a céu aberto Lama Lâmina, do artista norte-americano Matthew Barney, é formada por dois gomos geodésicos geminados, feitos de aço e vidro. Dentro deles, há um trator cuja garra sustenta uma árvore esculpida em polietileno. Segundo informações do museu, o título da obra faz referência às divindades do candomblé Ossanha, orixá das plantas medicinais, e Ogum, orixá da metalurgia e da guerra. O artista é reconhecido por seu engajamento em causas ambientais.

 

Já o Sonic Pavillion, também uma obra a céu aberto do artista norte-americano Doug Aitken, utiliza microfones ultrassensíveis que se estendem por um poço tubular de 202 metros de profundidade para captar os rumores da terra. O equipamento registra os ecos das movimentações do solo.

 

Fundação e Primeiras Instalações

 

A diretora-presidente do Inhotim enfatiza que o coração do instituto é o espaço Tamboril, que originalmente era uma das principais casas da fazenda onde o instituto está localizado. Nesse local, encontra-se uma majestosa árvore tamboril, com idade estimada entre 80 e 100 anos, que se tornou um grande símbolo da natureza exuberante do jardim botânico do instituto.

 

A primeira edificação do Inhotim é a Galeria True Rouge, que foi criada para abrigar uma obra do artista pernambucano Tunga, falecido em 2016.

 

O True Rouge é muito simbólico porque não só foi o primeiro com um lago e com essa natureza que abraça o pavilhão, mas como tem também a obra de uma figura muito forte, que é o artista Tunga, que tinha uma relação muito próxima do Bernardo Paz, o fundador. Tunga foi um grande provocador do Bernardo para construir Inhotim.

 

Compromisso com a Biodiversidade

 

O acervo botânico do parque possui mais de 1 mil espécies, distribuídas em oito jardins temáticos e no espaço de visitação. Conforme Alita Mariah, diretora de Natureza, Infraestrutura e Operações, o Inhotim é lar de uma rica biodiversidade botânica e preserva fragmentos da mata nativa em processo de regeneração.

 

Hoje, Inhotim, que nasceu como uma coleção particular, transita o seu posicionamento de um lugar focado no colecionismo para uma instituição que também se dedica à conservação de espécies de seu território.

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