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Coopamare enfrenta ordem de despejo após 37 anos em área pública de SP

Coopamare, referência em reciclagem, questiona decisão da prefeitura e busca apoio para seguir atuando em Pinheiros

22/04/2026 às 21:41
Por: Redação

A Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis, conhecida como Coopamare, foi notificada oficialmente pela Prefeitura de São Paulo para deixar o endereço que ocupa há mais de 30 anos, localizado sob o Viaduto Paulo VI, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista. O comunicado foi emitido no dia 31 de março, tomando por base um auto de fiscalização datado de 18 de março, cujo teor aponta que a utilização do espaço, com área total de 675 metros quadrados, caracteriza-se como irregular, uma vez que teria ocorrido mediante invasão.

 

A administração municipal determinou um prazo de 15 dias para apresentação de defesa por parte da cooperativa. Segundo informações, a resposta foi protocolada pela Coopamare no dia 2 de abril, contestando a decisão e buscando reverter a ordem de desocupação.

 

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, a autorização prévia de uso do local foi revogada em 2023, sob a justificativa de proteção ao patrimônio público e alegação de riscos de incêndio na área onde a cooperativa desenvolve suas atividades.

 

Carla Moreira de Souza, responsável pela presidência da Coopamare, relatou que, à época da revogação, a entidade apresentou defesa e iniciou tratativas com a prefeitura. Em tais conversas, houve promessa de que a administração buscaria um espaço compatível para transferência das operações da cooperativa.

 

“Estamos aqui há 37 anos. Aceitamos ir para outro lugar, desde que seja um galpão onde tenhamos condições de continuar trabalhando. A prefeitura nos oferece outro viaduto, mas o espaço é pequeno e não dá para levar nossas coisas".


 

Carla também afirmou que a expectativa dos trabalhadores é permanecer onde estão, ou, caso haja mudança, que seja para um galpão localizado na mesma região, permitindo que o grupo siga atuando de modo adequado e com todos os direitos garantidos.

 

"Não queremos ir para outro viaduto. Nossa expectativa hoje é a de que ela nos deixe onde estamos ou arrume um galpão, na mesma região, para podermos trabalhar em paz, com todos os direitos que temos como trabalhadores”.


 

A Coopamare é reconhecida como a cooperativa de reciclagem de materiais em funcionamento mais antiga do Brasil. Atualmente, recupera mensalmente cerca de 100 toneladas de resíduos recicláveis, resultado do trabalho conjunto de 24 cooperados e aproximadamente 60 catadores autônomos, que dependem da coleta para garantir renda e sustento.

 

Mobilização social e manifesto em defesa da Coopamare

 

Buscando sensibilizar a opinião pública e autoridades, a cooperativa lançou um manifesto e organizou um abaixo-assinado pedindo sua permanência no bairro de Pinheiros. No documento, a Coopamare defende que sua luta representa não apenas a preservação de empregos e condições dignas de trabalho, mas também a proteção ambiental e a promoção da justiça social.

 

No texto do manifesto, é destacado que muitas pessoas integrantes da cooperativa viveram em situação de rua antes de se integrarem ao grupo, e que encontraram na atividade de reciclagem uma alternativa honesta para recomeçar a vida profissional, colaborando com a cidade por meio do serviço de triagem e destinação adequada dos resíduos sólidos.

 

Ainda segundo o manifesto, o trabalho da Coopamare é fundamental para diminuir o índice de poluição, reduzir a quantidade de lixo encaminhado a aterros sanitários, contribuir para a preservação do meio ambiente, além de gerar economia aos cofres do município por meio da diminuição dos custos de coleta de resíduos.

 

O documento também ressalta o papel da cooperativa como referência de organização social, tendo impactado milhares de catadores ao longo dos anos, promovendo a integração formal desses profissionais tradicionalmente marginalizados pelo restante da sociedade.

 

Entidades representativas do setor, como a Associação Nacional de Catadores/as de Materiais Recicláveis (Ancat), também manifestaram apoio público à Coopamare. A Ancat classificou a cooperativa como a primeira do gênero no Brasil, afirmando tratar-se de um símbolo vivo da mobilização dos catadores, e pioneira no desenvolvimento de projetos que conciliam reciclagem e inclusão social.

 

Além da Ancat, outras organizações, entre elas a Unicatadores e o Movimento Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis (MNCR), declararam apoio à permanência da Coopamare em sua atual sede. Para essas entidades, a continuidade da cooperativa em Pinheiros é considerada um reconhecimento ao serviço essencial prestado não só à categoria, mas a toda a cidade de São Paulo.

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